O Profissional Oceanógrafo

O Oceanógrafo é um profissional de formação técnico-científica direcionada ao conhecimento e à previsão do comportamento dos oceanos e ambientes transicionais sob todos os seus aspectos, capacitado a atuar de forma transdisciplinar nas atividades de uso e exploração racional de recursos marinhos e costeiros renováveis e não renováveis. É um profissional de visão ampla, crítica e criativa para a identificação e resolução de problemas complexos, com atuação empreendedora e abrangente no atendimento às demandas da sociedade.

Como profissão nova no Brasil, a Oceanografia ainda enfrenta problemas decorrentes de sua pouca divulgação, mas, em pouco tempo, deverá ocupar seu lugar de destaque no cenário nacional. A formação holística, integrada e sistêmica sobre os processos oceanográficos e sua relação com a sociedade caracteriza o Oceanógrafo como um profissional com grande capacidade de articulação, necessário no cenário atual de destaque dos oceanos em escala nacional e global.

O setor público representa uma importante parcela do mercado de trabalho para o Oceanógrafo, desempenhando diferentes funções em diferentes órgãos públicos, como Ministério do Meio Ambiente e seus órgãos vinculados (e.g., Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e seus órgãos vinculados (e.g., Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE), Ministério da Aquicultura e Pesca, Ministério de Minas e Energia, Ministério Público, Secretarias Estaduais e Municipais de Meio Ambiente, Aquicultura e Pesca, Planejamento e Obras, Unidades de Conservação federais, estaduais ou municipais ou mesmo organismos internacionais como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). As contratações são normalmente decorrentes de concursos públicos, embora contratos temporários para consultores sejam comuns.

No setor público situam-se muitas das principais Universidades do país, nas quais a atuação acadêmica, dedicada à pesquisa científica e ao ensino e extensão universitárias, é o foco do oceanógrafo. Embora as universidades particulares tenham um direcionamento mais voltado para o ensino de Graduação, sem normalmente privilegiar a pesquisa, elas também tem empregado Oceanógrafos como professores de nível superior. O papel educador do Oceanógrafo, que lhe confere uma responsabilidade central na disseminação de informações sobre o ambiente marinho e na formação de uma cultura marítima na sociedade, também pode ser exercido enquanto professor no ensino médio de escolas públicas e particulares.

O ensino não formal também faz parte do campo de atuação do Oceanógrafo, frequentemente visando ações de educação ambiental executadas através de Organizações Não Governamentais (ONGs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) ou Fundações, instituições pertencentes ao Terceiro Setor. Estas organizações podem ainda desempenhar outras atividades nas quais a atuação do Oceanógrafo é essencial, como elaboração e execução de projetos socioambientais, voltados por exemplo para a conservação e proteção da biodiversidade e desenvolvimento de alternativas de renda sustentáveis para comunidades tradicionais, além de ativismo político para defesa de interesses difusos.

Na iniciativa privada (segundo setor) a atuação do Oceanógrafo é igualmente diversificada. A aquicultura e a pesca, ambas na área biológica, e a engenharia oceânica, na área física e geológica, são exemplos de setores que representam um grande potencial de emprego para Oceanógrafos. Na Oceanografia química, a solução de problemas relacionados à poluição ambiental em áreas costeiras é uma outra forma de ocupação para esses profissionais. Esta atuação pode ser dar em empresas dos mais variados tamanhos e setores de atuação, como óleo e gás, portos, pesca, aquicultura, saneamento, mineração, energias alternativas e turismo.

A necessidade do licenciamento ambiental e de princípios que emergiram em função dos crescentes índices de degradação do ambiente marinho levou à emergência de empresas de consultoria ambiental, cujo papel é assessorar tecnicamente as empresas contratantes que desejam realizar empreendimentos na região costeira e oceânica. Neste contexto, o Oceanógrafo pode atuar em diferentes frentes, planejando e executando estudos de impacto ambiental (EIA), monitorando parâmetros oceanográficos, produzindo laudos técnicos, realizando capacitação e atividades de educação ambiental dentre outras.

A profissão de Oceanógrafo tem um forte vínculo com o empreendedorismo, no qual os profissionais podem atuar como empresários, já nucleando ou incubando empresas desde os cursos de Graduação, tanto vinculadas às empresas juniores existentes quanto criando novas iniciativas com vieses específicos. De uma forma geral, ao Oceanógrafo é atribuída a possibilidade de inovação pois embora haja várias formas de atuar com Oceanografia, muitas já conhecidas e consolidadas, ainda há muitas a se desbravar.

A atuação na área da gestão ambiental configura-se como transversal, podendo ser aplicada à todos os setores da sociedade citados acima (público, privado e terceiro setor). Esta constitui-se no processo de articulação das ações dos diferentes agentes sociais que atuam em um dado espaço, visando garantir, com base em princípios e diretrizes previamente acordados e definidos, a adequação dos meios de exploração dos recursos naturais, econômicos e socioculturais de acordo com a especificidade do meio ambiente. No âmbito empresarial visa também o estabelecimento de práticas de gestão compatíveis com os princípios da sustentabilidade, propondo e implementando certificações (e.g., ISO 14000) e sistemas de gestão e de responsabilidade social e ambiental.

Em 31 de julho de 2008 foi sancionada a Lei Federal N° 11.760/2008 que regulamenta o exercício da profissão de Oceanógrafo no Brasil considerando suas habilitações e em 5 de junho de 2012 foi aprovado o Parecer CNE/CES nº 224/2012 , sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Oceanografia, que caracterizam o perfil do egresso e detalham as competências e habilidades do profissional. Estes documentos legais permitem a identificação de diversos áreas de atuação no mercado de trabalho.

Desafio Profissão - Oceanografia

O Programa Desafio Profissão coloca em pauta o processo de escolha profissional e o universo das diversas profissões. Sob o comando do orientador profissional Silvio Bock e promovido pela equipe de Orientação Profissional do Curso de Psicologia da PUC-SP, a cada semana, uma nova área é debatida.
Adriana Lippi - Oceanógrafa 
Alexander Turra - Professor do Curso de Oceanografia da USP

#Sisu2018

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