Pesquisadores detectam aumento repentino do nível do mar

A ALTURA MÉDIA DAS ONDAS MAIS QUE DOBROU NAS BASES OCEANOGRÁFICAS DA USP

Base do IO-USP em Cananeia. (Foto: divulgação.)

Nas últimas três semanas, o nível do mar na costa sudeste do Brasil aumentou subitamente. É o que sugerem os dados apurados por pesquisadores do IO-USP (Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo), que mantém bases em Ubatuba e Cananeia (localizadas, respectivamente, nos litorais norte e sul do Estado).

Nesse intervalo de tempo, as ondas passaram, em média, no mesmo horário, de 0,5 metro de altura para 1,4 metro, em Cananeia; e de 0,4 m para 1,2 m, em Ubatuba. Segundo Joseph Harari, professor do instituto responsável por coordenar essas medições, isso se deve a “variações extremas das condições meteorológicas” nas últimas semanas, e particularmente no fim do inverno.

“Houve períodos de intenso calor, e também choveu muito intensamente. E acabou tendo variações dos ventos, da pressão [atmosférica], e por consequência, nos outros correspondentes”, explica. “A fonte d’água sobre a costa brasileira é muito significativa e por isso eleva o nível do mar.”

Harari afirma que há outros fenômenos meteorológicos que influenciam o nível do mar a longo prazo, como o aquecimento global, que vem provocando um aumento estrutural nesse número, proporcional à variação nas temperaturas atmosféricas.  

Mares e marés

O outro aspecto que influencia no nível do mar são as marés, ou seja, a variação do nível do mar em relação à faixa de areia. Elas estão associadas aos movimentos de rotação da Terra e de translação da Lua e pela interação destes com o campo gravitacional do planeta.

As marés podem variar muitas vezes ao longo do dia. “A face de maré muda periodicamente e de uma forma bem definida. Grande parte das marés é bem conhecida em todo o mundo, você tem previsões de marés de alta qualidade.”

O especialista afirma que, ainda que as previsões de marés do instituto sejam consideradas de alta qualidade, não há como fazer previsões relativas a períodos muito distantes. “Amanhã, nos próximos dias [dá para prever] sim, mas nas próximas duas ou três semanas, já é um pouco mais difícil.”

As medições do instituto são realizadas por sensores nas bases, que enviam os dados automaticamente para São Paulo, sede do IO. É possível acompanhar as medições de nível do mar do IO no site do LabDados. 

Fonte: AUN

Compartilhe